André Felipe Lessmann

Year: 2018-19

André Felipe Lessmann

School: Colégio Vicentino São José, Curitiba

Teacher: Denilso Geraldo Delfrate

City: Paraná


Original essay

Era 28 de Agosto de 1789, William Herschell estava em seu observatório na pequena cidade britânica de Slough quando descobriu um pequeno ponto brilhante se movendo ao redor de Saturno. Em 1847, seu filho Jon o batizou de Encélado, que na mitologia grega é o menos poderoso de todos os gigantes. Mas o que nem William nem seu filho imaginavam era que esse pequeno gigante ainda se mostraria cheio de surpresas.

Bem, mas quem é esse tal de Encélado? Creio que se ele fosse se apresentar a você, diria que é a sexta maior lua de Saturno, com 500 km de diâmetro (10 vezes menor que seu irmão Titã) e que é um sujeito brilhante, literalmente, já que seu albedo de 0,99 faz dele um dos corpos que mais refletem a luz do sol no sistema solar. Além disso, há evidências de que existe um oceano de água líquida com aproximadamente 70 Km de profundidade revolvendo seu núcleo, sendo que esse oceano está encoberto por uma crosta de gelo com espessura de 5 a 35 Km.

Mas, sem dúvida, o que mais chama a atenção em Encélado são os gêiseres em seu pólo sul. Jatos de vapor d’água e cristais de gelo emanam por aberturas na crosta gelada, formando enormes plumas que alcançam o espaço e alimentam o Anel E de Saturno. Esse fenômeno não tem uma explicação conhecida, mas pode indicar a presença de fontes hidrotermais no assoalho oceânico, onde a temperatura é mais elevada e mais propícia para a existência de formas de vida. Esse fenômeno é impressionante, mas por que deveria ser estudado mais profundamente?

Para o surgimento de vida tal como a conhecemos, é necessário líquido (de preferência água), uma fonte de energia para o metabolismo e elementos químicos, como Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Fósforo e Enxofre. Bem, água é o que não falta em Encélado. Todas as substâncias citadas já foram descobertas nessa lua (salvo Fósforo e Enxofre, mas há indicativos de que esses dois existam no núcleo), e na lua há indícios de metano, que poderia ser facilmente metabolizado com hidrogênio por bactérias Archae como as da Terra. Além disso, a sonda Cassini, ao estudar os gêiseres de Encélado, detectou complexas moléculas orgânicas emanando das plumas, um fato raríssimo fora da Terra. Portanto, Encélado tem todos os ingredientes para o surgimento de formas de vida simples como as bactérias Archae.

Creio que uma visita a Encélado valeria muito a pena, especialmente para o seu pólo sul. Os gêiseres ainda têm muito para nos contar e, se conseguirmos criar submarinos capazes de penetrar a crosta e explorar os oceanos, podemos desvendar as dúvidas que ainda restam sobre esse pequeno gigante — como, por exemplo, se há de fato algum tipo de atividade metabólica acontecendo no fundo de seus oceanos. Quem sabe Encélado é tão rico em biodiversidade quanto os oceanos da Terra, mas o único jeito de descobrirmos isso é indo para lá.

English translation

It was August 28, 1789, William Herschell was at his observatory in the small British town of Slough when he discovered a small bright spot moving around Saturn. In 1847 his son Jon named him Enceladus, who in Greek mythology is the least powerful of all giants. But what neither William nor his son imagined was that this little giant would still be full of surprises.

Well, but who is this Enceladus? I think if he were to introduce himself to you, I would say that he is the sixth largest moon on Saturn, 500 km in diameter (10 times smaller than his brother Titan) and that he is a brilliant fellow, literally, since his albedo of 0, 99 makes it one of the bodies that most reflects sunlight in the solar system. Moreover, there is evidence that there is an ocean of liquid water approximately 70 km deep revolving its core, and this ocean is covered by a 5 to 35 km thick icing.

But, undoubtedly, what draws the most attention in Enceladus are the geysers at its south pole. Jets of steam and ice crystals emanate through openings in the icy crust, forming huge plumes that reach into space and feed Saturn's Ring E. This phenomenon has no known explanation, but may indicate the presence of hydrothermal vents on the sea floor, where the temperature is higher and more conducive to the existence of life forms. This phenomenon is impressive, but why should it be studied further?

For the emergence of life as we know it, it requires liquid (preferably water), a source of energy for metabolism, and chemical elements such as carbon, hydrogen, oxygen, Ni-trogen, phosphorus and sulfur. Well, water is not lacking in Enceladus. All the substances mentioned have already been discovered on this moon (except for Phosphorus and Sulfur, but there are indications that these two exist in the nucleus), and on the moon there are signs of methane, which could easily be metabolized with hydrogen by Archae bacteria like the ones in the moon. Earth. In addition, the Cassini spacecraft, when studying Enceladus geysers, detected complex organic molecules emanating from the plumes, a rare fact off Earth. Therefore, Enceladus has all the ingredients for the emergence of simple life forms like Ar-chae bacteria.

I believe a visit to Enceladus would be very worthwhile, especially for its south pole. Geysers still have a lot to tell us, and if we can create submarines that can penetrate the crust and explore the oceans, we can unravel the remaining doubts about this little giant - such as whether there is any metabolic activity at all. happening deep within their oceans. Maybe Enceladus is as rich in biodiversity as Earth's oceans, but the only way to find that out is by going there.

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